Mulheres empreendedoras: veja como elas enfrentam os desafios do mercado

Guia do MEI e ME
Publicada em 24/10/2018 - Fonte: Serasa Empreendedor
feminaria

O mundo dos negócios nunca foi fácil para ninguém, mas muito menos para as mulheres. O ato de empreender sempre foi tido como uma função predominantemente masculina, dificultando o surgimento de mulheres empreendedoras. Entretanto, é esse cenário que a diretora executiva da rede Feminaria, Ana Carolina Bavon, está determinada a mudar.

Ao longo de sua carreira como advogada, a atual empreendedora sentiu a necessidade de auxiliar as pessoas de forma mais efetiva, de modo que o seu trabalho tivesse um impacto social significativo. Ao perceber a grande dificuldade das mulheres em abrir e manter o seu próprio negócio, ela encontrou um ponto para dedicar seus esforços.

Ana Carolina Bavon, mulher empreendedora
Divulgação: Ana Carolina Bavon
Hoje, a Feminaria tem foco em trabalhar a gestão administrativa ao lado das empreendedoras, além de capacitar as clientes em diversos aspectos da administração de um negócio, desde a parte de definição de custos e finanças até os conceitos de marketing, vendas e liderança. Além disso, segundo ela, a empresa já ajudou mais de 800 mulheres em apenas 2 anos de existência.

Por isso, aproveitamos toda essa bagagem da Ana Carolina para ilustrar os principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras e como elas superam esses obstáculos. Quer ficar por dentro do assunto? Então, continue a leitura!

Confiança da equipe masculina

Isso costuma ser sutil a ponto de muitas pessoas acharem que não acontece, mas é uma realidade que muitos homens, mesmo que inconscientemente, não confiam nas decisões e na capacidade das mulheres no mercado de trabalho.

Segundo Ana Carolina Bavon, o questionamento da sociedade em relação às mulheres não se limita apenas ao tipo de função, mas ao ato de empreender em si. O mito de que “lugar de mulher é na cozinha” ainda está presente — e, para mudar esse cenário, as mulheres precisam se provar o tempo inteiro.

“(…) a competitividade e a agressividade nos negócios são associadas a uma característica masculina — que é exigida pelo mercado. E tudo dentro desse paradigma de dominância. Como todo paradigma, isso é um mito — e ele não existe. E como a gente derruba isso? (…) Trabalhando”, explica a empreendedora.

Ana Carolina esclarece que o contexto social influencia nos desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem. O que uma mulher branca empreendedora enfrenta é diferente do que uma mulher negra empreendedora enfrenta, por exemplo. Além disso, “quanto menor for a renda, quanto menor for o grau de escolaridade, maiores serão os desafios dessa mulher associados ao machismo”, completa ela.

Investimento desigual

Menos de 10% das empresas lideradas por mulheres recebem investimentos externos. Para Ana Carolina, os homens têm a tendência de investir em homens empreendedores, e a grande causa disso é que os homens não conseguem ver as mulheres de início porque estão sempre cercados por outros homens.

“Por mais que eles discutam entre eles o que vão fazer, onde vão investir, não vai ter alguém dentro dessa equipe que fale: ‘olhe para aquela mulher’. Nós estamos falando de um ambiente homogêneo, onde não há uma mulher com poder de decisão sobre onde vai ser investido aquele dinheiro” elucida a diretora executiva da Feminaria.

Nesse caso, segundo ela, quem pensa mais em investir em mulheres são outras mulheres, ou investidoras-anjo.

Gestão de tempo

relógio mostrando o tempo passar, as novas jornadas de trabalho podem ter horários flexíveis.
Gestão de tempo
Existe uma falsa percepção de que quem cuida da casa deve ser somente a mulher. Essa concepção atrapalha a vida profissional delas.

“As mulheres trabalham, por semana, cerca de 8 horas a mais que os homens — pois elas cuidam sozinhas dos afazeres domésticos. Novamente, trata-se de uma questão social (…), de uma questão do homem entender que ele não ‘ajuda’ em casa, mas que divide tarefas que fazem parte da realidade dele também”, esclarece Ana Carolina.

Para ela, um exemplo prático é a empreendedora que trabalha no estilo home office, pois ela precisaria se dedicar a isso das 8h às 18h. Entretanto, muitas vezes, o marido não entende que esse é o horário de trabalho dela — e ela mesma acaba cedendo e fazendo coisas que não são pertinentes ao serviço.

“(…) Ele acha que ela poderia estar cuidando da casa, fazendo uma comida, cuidando do filho, enfim, as coisas relacionadas ao cuidado doméstico. Então, essa pressuposição já é uma agressão à realidade feminina”, exemplifica a empreendedora. Segundo ela, a primeira coisa que a mulher precisa fazer é mudar de postura e estabelecer uma rotina, não aceitar interrupções e, assim, mostrar que o trabalho dela tem a mesma importância que o do marido.

O ato de empreender por necessidade

É muito comum encontrar pessoas que, ao ficarem desempregadas, passam a empreender para gerar alguma renda — e, geralmente, vendem algo que já sabem fazer.

Contudo, visto que existem menos mulheres do que homens com experiência em gerenciar um negócio, há um desfalque de conhecimento que dificulta a vida da mulher, o que se torna mais grave quando ela começa a empreender por necessidade.

Nesse caso, segundo Ana Carolina, a empreendedora que não conseguiu se planejar deve começar logo. Afinal, mesmo um grande número de vendas pode ocasionar um problema de logística por falta de planejamento. “Por mais que esse amadorismo tenha começado como um negócio pequenininho, ele nunca pode ser desacreditado. (…) De todas as áreas, planejar é o mais importante para quem empreende”, elucida a diretora-executiva.

Não confiar em si mesma

É muito comum que a empreendedora iniciante fique insegura quanto à própria capacidade e, então, seja demasiadamente cautelosa no momento em que deve se dedicar ao máximo e até mesmo correr pequenos riscos calculados.

Entretanto, quando ela se compara a outros empreendedores, a confiança em si mesma fica ainda mais abalada.

“Quando a pessoa decide empreender, ela precisa evitar ao máximo, se comparar. Uma coisa que eu sempre falo é: ‘a comparação é a mãe da frustração’,”

“Essas comparações que muitas vezes acontecem podem gerar frustrações muito grandes, pois são sempre construídas em bases irreais.(…), principalmente quando há comparações com negócios semelhantes tocados por homens. São comparações que não levam em conta o gênero do empreendedor, o contexto social das pessoas, a maturidade do negócio. Então, a inspiração é positiva, a comparação não.”, completa.

Dicas para as mulheres empreendedoras de primeira viagem

Para as novatas, Ana Carolina deixa algumas dicas importantes.

Entenda por que você quer empreender

“É por que você tem um produto ou serviço muito bom, é por que você tem uma habilidade pra isso… Entender por que ela tomou essa decisão. E isso está totalmente ligado ao autoconhecimento. (…) Ao identificar as habilidades que ela tem e que não tem, ela pode adotar caminhos que complementem as suas habilidades.”

Estude o mercado no qual você pretende trabalhar

“90% das mulheres que começam a empreender chegam aqui na Feminaria sem nunca ter feito um mapeamento. Então, é importante estudar o mercado onde você quer se inserir. (…) Existe alguma coisa que o mercado não faz dentro dessa área que você quer trabalhar? Quando ela consegue identificar esse gap, a chance dela conseguir um produto ou serviço que atenda essa população descoberta de forma estratégica pode ser um diferencial.”

Planeje o seu negócio em cima disso

“Por planejar, eu digo definir objetivos, metas a curto, médio e longo prazo. Procurar informações disponíveis na internet sobre o empreendedorismo — o Serasa Empreendedor está vindo aí com uma porrada de coisa gratuita pra ajudar a trabalhar. Nós da Feminaria oferecemos muita dica boa sobre o empreendedorismo. Então, é possível passar por essa fase de compreensão de forma que você não gaste um real.”

Dado esse cenário, os grandes desafios das mulheres empreendedoras estão muito ligados à confiança, seja da sociedade para com elas, seja de si para consigo mesmas. Para mudar isso, elas precisam provar para si mesmas que são capazes de coisas grandiosas e, tendo em mente a própria capacidade, precisam mostrar isso para o mundo. É assim que elas inspirarão outras mulheres ao seu redor.

O mundo precisa saber que as mulheres estão chegando no mundo dos negócios para ficar, e essa é única coisa que não é negociável! Então, se você gostou deste post e quer mostrar para outras mulheres que elas não estão sozinhas nas dificuldades que encontram na vida profissional e, principalmente, que é possível superar todos os obstáculos, compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais.

Gostou desse conteúdo?
Compartilhe: